quarta-feira, 5 de junho de 2013

04.06.13 - Dia 49 - Elk (PL)

Camping Mosir, à beira do Lago
Cidade de 1430, com castelo de 1340, região de passagem entre a Finlândia e Rússia desde priscas eras, cortada pelo rio Elk, com documentos que falam o nome desse rio desde 1200.
Logo cedo Silvano fez um recorrido pela promenade de bicicleta e conhecer a cidade e eu fiquei dormindo.
Tiramos o dia para faxinas: Silvano lavou o banheiro; eu, roupas, varrer a casa, lavar as cortinas, arrumar os armários...casa rodante também dá trabalho. Lógico que bem menos, até cheguei a seguinte conclusão: a grande incentivadora dessa multidão que anda de MH na Europa é a mulher! Tem infinitamente menos trabalho a fazer, o marido sempre ajuda (o marido europeu é mestre na lavação e secação de louça) e tem tempo sobrando para andar de bici, ler e tomar cerveja!   
Saímos por volta de 13:00 com intenção de almoçar e passear. Saímos bem "de verão" com direito a havaianas e tudo. 
Mal chegamos na cidade e saquei a máquina para a foto da primeira igreja caiu um pé d'água e saímos correndo nos proteger. Choveu muito, parou e o sol reapareceu.
Meio molhados saímos procurando onde comer. Achamos uma "lanchonete" e pedimos: Silvano foi de "wrap" e eu pedi algo que pensava que fosse carne e batatas, mas nada parecido foi o que veio. Nem vou conseguir descrever, mas para mim era pão velho, cortado tipo croutons e depois amassado em uma frigideira, algo como omelete de pão velho. Não sei o que era ... nem ia conseguir perguntar mesmo.  Ah! a batata? Também não era batata, era um pure-grude que não consegui decifrar mas estava bom..nem sempre se acerta!
Olhamos praças, igreja, centro cultural, mercado e vim embora.
Silvano foi atrás de bicicleteiro para que o ensinasse onde afrouxa o guidão...com muito custo achou. Tudo porque ele não conseguiu ler o manual de instrução , em alemão. 
Silvano continua tentando completar a ligação da TV com a antena de satélite. A conta já deve estar em 10x0 para a antena. Não funciona por nada, já viramos e reviramos. Hoje o Silvano ficou realmente bravo com isso.
E assim terminou o dia. Com pernilongos tentando nos esfolar e sem TV.
Jantamos arroz, feijão em lata, cogumelos salteados ao alho! Hum!
Já disse que aqui amanhece 03:30? pois é! boa noite.
Beijos a todos.


Pobre Silvano: cortei o cabelo ...


















domingo, 2 de junho de 2013

03.06.13 - Dia 48 - Varsóvia a Elk (PL)

Dia de estrada, senão a gente fica desacostumado ... 250 km
Aqui no Camping, em Varsóvia, havia um grupo de holandeses que estão fazendo um recorrido pela Polônia, +- 20 MH. Quando acordamos quase todos haviam partido.
Antes de sairmos passamos no Carrefour para comprinhas básicas: pão, manteiga, leite, etc.
Andamos um trecho pela via expressa e outro pela secundária, de pista simples, mas com pouco caminhão.
Uma diferença das estradas da Alemanha, pelo menos onde andamos, tinha pouco caminhão. Aqui tem muito e de placas que eu nunca tinha visto: da Bielorússia, Rússia, Estônia, Finlândia...quanta emoção!
Passamos por poucas cidades médias, muitos vilarejos e uma constante de aparência: simples, muito simples. Várias igrejas novas, temos que lembrar que muitas igrejas dessa região tiveram outras finalidades, inclusive virando quadras de esportes. Em muitos locais vimos igrejas novas.
Resolvemos dormir na cidade de Elk por ter camping, apesar de ficar um pouco  fora da rota para a Lituânia. mas como tempo temos lá vamos nós.
O camping é pequeno, com capacidade para 7 MH, cada um com seu espaço separado, torneira, energia e calçamento. Hoje não vamos amassar barro.
Uma pena que a @ não funciona, assim o blog não vai para frente, estou sempre correndo atrás.
Como já disse no começo "até aqui nos ajudou o Senhor", estamos bem, com saúde, saudosos sim, mas contentes de estarmos aonde queríamos estar.
Kevin e Iris , beijos. Inara e Ivy, cuidem-se. Boa noite.
Abraços a todos nossos amigos que por aqui passam. 


Café da manhã

Quase vazio


Zona rural polonesa

Primeiros ninhos de cegonha

02.06.13 - Dia 47 - Varsóvia (PL)

Ainda Varsóvia ...Tempo nublado, chove um pouco, pára ...mas hoje não fez sol.
Saímos depois das 11 hs para o Museu da Insurreição de Varsóvia: quando os judeus se rebelaram contra os alemães no Gueto. Sabiam que dali iriam para os campos de concentração. Foram 63 dias de luta até o desfecho com a ordem para arrasar por completo a Cidade Velha, mais especificamente onde ficava o gueto. O Museu mostra quase que o dia-a-dia dessa luta com forças díspares mas também a vida civil, como as pessoas tentavam viver com dignidade. A forma como a imprensa trabalhava, as crianças que executavam ordens, levavam recados, participavam da luta. Objetos autênticos, réplicas, filmes, fotografias, armamentos. A réplica de um avião bombardeiro Liberator B-24J, mostra todo o trabalho dos paraquedistas.
Esse museu foi criado no 60º aniversário do levante e é um dos lugares mais visitados da capital.
Na área externa tem o nome das pessoas que morreram gravados no mármore e um caminho com fotos ampliadas e colorizadas da época. Em algumas fotos se percebe a tentativa das pessoas em viverem normalmente, sorrisos, olhares apaixonados, muita disposição para ajudar, solidariedade e desprendimento.
Enfim, um Museu que nos leva a manter acesa aquela interrogação acima de nossas cabeças. É difícil não se emocionar. E agora? Que faremos com essas informações?
No Museu tem um café que recria a década de 30: tomamos café e comemos pierogis, de novo.
Dali tomamos um tram e depois o ônibus 180, que tem um trajeto bem longo e passa por muitas atrações. Desce-se aonde interessa e depois de 20' passa outro. 
No Palácio Real de Lazienki se encontra a estátua de Chopin.  É uma obra reconhecida internacionalmente e das mais reproduzidas. Durante o verão as 12 e as 16 hs junto ao monumento são executados concertos com músicas de ...Chopin! Quando passamos estava tocando, descemos, ouvimos 2 músicas e seguimos.. Um ambiente encantador!
Seguimos viagem, passando pela residência presidencial e várias mansões.
O terminal é no Museu e Palácio Wilanów: era a residencia de verão do Rei Augusto II. É uma mistura de estilos, mas só andamos pelos jardins: uma mescla de vila italiana, com jardins italianos e com estilo inglês...deu prá entender? As fotos são mais elucidativas do que eu falando...
Circulamos, tomamos sorvete, visitamos um pouco do cemitério e pegamos o bus de novo.
Descemos na Cidade Velha, vimos mais alguns monumentos referentes à Varsóvia Judaica. Hoje foi dia de ficar macambúzio (ainda usam essa palavra??), pensar e andar mais um pouco.
Recomeçou a chuva, entramos no mercado para comprar pão e voltamos para casa.
Lanchamos, falamos com Ivy e Iris, fizemos o levantamento do roteiro para amanhã e os campings que por aqui são poucos. Mas sempre pode piorar, acho que na Lituânia vai ter menos ainda...
Ontem e hoje fiz o texto sobre ontem e anteontem aqui em Varsóvia, tentando aliviar as palavras, deixar um pouco mais leve mas perdi o texto antes de conseguir salvar. Por 2 dias seguidos ... na verdade não estou satisfeita com a escrita. Mas a situação é essa: a cidade é bonita, mas me deu um estranhamento danado com toda a história envolvida.  Isso porque só sei uns fiapos do que verdadeiramente aconteceu. Enfim, mexeu comigo e estou desassossegada.
Boa noite, já são 03:00, aqui amanhece 03:30 e os pássaros já estão cantando.     














Essa palmeira é de plástico, era para ser provisória, mas a "Instalação" ficou definitiva

Rua Nowy Swiat

No Parque Lazienki e Chopin


Palácio e Museu de Wilanów 







01.06.13 - Dia 46 - Varsóvia (PL)

Hoje, sábado, dia foi dividido em três etapas:
Pela manhã, isto é, depois das 11:00, fomos fazer compras. Aqui perto tem uma Decathlon, o que você  quiser de esportes tem: qualquer rebinboca da parafuseta em termos de esportes tem! Coisas necessárias, desnecessárias, frescuras, essenciais: tudo.
Compramos capacetes para andar de bicicleta, capa de chuva para as bicis e para mim, blusas de frio (apesar de estar entrando o calor). No Carrefour além das comidinhas e bebidinhas compramos uma TV de plasma (uia! nem em Morro Reuter temos uma). Levamos as compras para casa e saímos novamente.
2ª etapa: visitar a Varsóvia Judaica. Mas antes tínhamos que comprar bilhete de ônibus 24 hs...aí mora o perigo...a máquina só fala e escreve em polonês.
Por sorte tinha um casal jovem e nos ajudou.
Fomos primeiro no trecho original do muro que restou. Quem passa pela rua nem vê, tem que entrar em um corredor de prédios e lá no meio entre os apartamentos está ele.  O muro dividiu quase casas ao meio, teve prédios "cortados" ao meio, do dia para a noite já não se podia visitar seu vizinho, ou ir na padaria que até ontem você ia. Deprimente! Enlouquecedor! 
Não tem como não ficar chocado de frente para aquele pedacinho de muro, de 3,50 mts de altura. Numa área de 3 km² "viviam" quase 500.000 pessoas.
Fica-se sem palavras, sem vontade de externar qualquer comentário.
Antes da guerra mais de 30% da população de Varsóvia era judia. O muro foi erguido em 1940, a princípio eram divididos em dois guetos: o grande e o pequeno, unidos por uma ponte de madeira. Em menos de 3 anos morreram de fome, tifo e epidemias mais de 100.000 pessoas.
Dali foram enviados para os campos de  concentração mais de 300.000.
Os restantes  eram obrigados a trabalhar para fábricas alemãs e a ração diária era de 200 calorias.
Em 1943 teve início a inssurreição do gueto, era a única possibilidade que encontraram para viver ou morrer com dignidade. Foram 63 dias de luta que terminou com a ordem de arrasar por completo o gueto.
As fotos do ataque final são de arrepiar. Pouca pedra sobre pedra sobrou.
Visitamos ainda a Rua Prozná, de uma quadra só, que foi a única que sobrou desse dia de bombardeio. Um dos prédios foi restaurado e resta um prédio de 4 andares, com fotos de ex-moradores nas janelas.   
Há pouco tempo, um artista italiano, fez uma escultura de Hitler, ajoelhado e colocou no pátio desse edifício. Foi uma comoção geral e teve que retirar a estátua. Segundo o artista, Hitler estaria ajoelhado pedindo desculpas. Não aceitaram a explicação.
Conhecemos a Sinagoga, a igreja católica que também atendia os judeus daquela época. Enfim, andamos por ali. E segue o mesmo sentimento de desentendimento sobre como pode acontecer esses fatos. Na verdade a gente é que não sabe nada.
Varsóvia me impressionou muito. Você lê uma placa de um edifício e diz que é de 1300, 1400 mas é novinho, isso é que não bate. As coisas são velhas, mas são novas. Parece cenário de filme! Muito estranho.
3ª etapa: para desanuviar resolvemos andar de tram meio sem destino, a ideia era ir até o ponto final e depois voltar. Só circular! Mas  já era tarde, o tram foi para a periferia, que nem era tão feia assim, mas 10:00 da noite, sem conhecer e alguém te diz que não tem mais tram!?! Aí bateu o desespero. Outro diz que tem ainda tram. Lembrem-se que as pessoas não usam o mesmo dizer da gente. Verdade que dali a 10 minutos chegou um. Subimos bem aliviados. Ele andou UM ponto, parou e o motorista mandou todo mundo descer e nós ali paralisados. Quando vimos ele estava com uma barra de ferro na mão e dizendo para sair. Nessa hora a gente entende qualquer língua. Descemos apatetados e eu morrendo de medo.
Tinha um boteco e a senhora tentou nos ajudar, ainda tinha mais um tram. Esperamos. Ele realmente veio, descemos numa estação ferroviária grande e fomos atrás: ônibus noturno ainda era cedo, ônibus normal não tinha. Fomos atrás do trem, a atendente escreveu num papel; 23:07 perón (plataforma) 1.
Ufa que alívio! Subimos correndo pois  faltavam poucos minutos e aqui horário de trem é coisa séria.  
Nos instalamos bem felizes numa cabine: íamos andar de trem pelo menos por 8'.
Eis que chega o fiscal e pede o bilhete. Mostrei aquele bilhete que compráramos de manhã para 24 hs. Ele: não, não, não. Pronto. Arregalamos os olhos: como não? a mulher lá em baixo disse que sim, ele dizia que não. Bem quase chorei. Aí ele amoleceu: vão só até a Estação Central? Sim, sim, sim.
Aí ele fez aquele gesto que adoro: Bah! esses turistas! e jogou as mãos para trás. Aquela cara de "vocês querem me passar a perna mas eu tô sabendo!"
Que felicidade! Quando chegamos quase ajoelhamos para agradecer ao fiscal.
Ainda pegamos mais 2 ônibus para chegar no camping.
Já passava da meia-noite, camping fechado, mulher dormindo: tocamos a campainha e lá veio ela.
Afinal são tantas emoções! Hoje foram várias!
Vou dormir porque os passarinhos já estão cantando.


As explicações para comprar bilhete de bus: difícil!

Na Decathlon



Entrada do edifício onde existe um trecho do Muro





Prédio "presente"de Stalin 


Ulica Prozna: pequena rua no Gueto que não caiu com o bombardeio



Ulica Prozna: nesse espaço foi colocada a estátua de Hitler ajoelhado, mas devido à comoção causada o artista retirou 

Prédio restaurado da Rua Prozna



Sinagoga, de 1898 - Escapou ilesa

Basílica, na periferia e sem ônibus para voltar

Dando o golpe no trem

Estádio Nacional





















  

15-10-2017 - Arganda del Rey - Madri - Granada

Um belo domingo de sol! Outono calorento! Céu azul! Hilário nos levou até o aeroporto Barajas 09:00 para “locar” um carro e bandear uns di...